A solanina – Toxicidade, seus efeitos e prevenção

A solanina é uma toxina natural, comum na beringela, tomate, pimentão, pimenta-chili, pimenta do reino e na batata. Por isso as solanáceas (em especial a batata) foram consideradas espécies venenosas e motivo de desconfiança para consumidores por muitos anos.
A solanina é um glicoalcalóide, toxico, de sabor amargo, praticamente insolúvel em água e estável ao calor, o que dificulta a sua inativação em qualquer metodo de cozedura.
As concentrações mais elevadas deste composto encontram-se na casca dos tubérculos e nos seus brolhos. Os níveis de glicoalcalóides totais podem variar dependendo das características genéticas, da humidade do solo, dos tratamentos fertilizantes e fitofármacos, bem como da poluição e das condições de armazenamento.
Um estudo sugere que doses de 2 a 5 mg de solanina por quilograma de massa corporal podem causar sintomas de intoxicação, mas doses de 3 a 6 mg por quilograma de massa corporal podem ser fatais.
A intoxicação por solanina provoca principalmente desordens do foro gastro-intestinal e neurológico, os sintomas incluem náuseas, diarreia, vómitos, cólicas, fadiga, ardor na garganta, dor de cabeça e vertigens, em alguns casos ocorre alucinações, perda de sensibilidade, paralisia, febre, icterícia, pupilas dilatadas e hipotermia. Em casos graves a pessoa pode apresentar perturbações mentais, coma e até morte.
A fim de evitar a formação e aumento de solanina nos tubérculos e frutos devem tomar-se alguns cuidados:
Na plantação
  • evitar plantar superficialmente e plantar os tubérculos a 15 cm de profundidade;
  • não fertilizar tardiamente o solo, uma vez que a aplicação excessiva e tardia de azoto aumenta o teor em solanina;
  • não fazer a colheita demasiado cedo, dar tempo para a completa maturação dos tubérculos e frutos.
No armazenamento e consumo
  • armazenar num local escuro e fresco evitando a exposição a fontes de luz e calor;
  • lavar os alimentos antes de cozinhar, retirando a pele e possíveis zonas verdes;
  • guardar em sacos pretos ou opacos;
  • evitar comer quantidades excessivas, diariamente ou com frequência;
  • escolher produtos certificados;
  • quanto mais velhas forem as batatas menor será a concentração de solanina;
  • escolher tomates maduros, os verdes contêm solanina em altas doses.
Fonte: Departamento de toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP)