Campanha de batata nacional 2018/2019 – Algumas observações

Em Setembro de 2018, iniciou-se a actual campanha, com os principais países do centro e do norte da Europa, produtores de batata (consumo, indústria e semente) a sentirem os efeitos na redução da produtividade (estimou-se de cerca de 20 %), causada por um Verão de 2018, longo e seco. Perante essas condições e na impossibilidade de regar, porque nesses países em geral a batata cultiva-se em sequeiro, as batatas ficaram com menor calibre e desse modo com menos quilos de batata por hectare.
Ao nível do comércio de batata de consumo, em consequência destes factos, no Outono, Inverno e Primavera, o mercado esteve bastante activo e com uma natural subida de preços, devido à quebra da produção e desse modo, os stocks estiveram mais baixos. A escassez de batata para processamento, também obrigou os principais fornecedores das maiores fábricas na Europa a terem de procurar lotes de batata no mercado de fresco para deste modo, conseguirem respeitar os contratos previamente assumidos com os seus clientes.
Na batata-semente, também se reflectiu a quebra de produção devido à seca dos principais países produtores (nomeadamente da Holanda), em que houve uma redução da disponibilidade para exportação a nível mundial e países como Marrocos, Israel e Egipto, reduziram as suas importações de batata-semente no final de 2018 – consequentemente, estes países com menos batata-semente, reduziram as suas áreas plantadas com batata.
Em Portugal, estima-se que a área total de batata plantada de Dezembro de 2018 até Abril/Maio 2019, foi idêntica à área da campanha anterior (2017/2018), a qual tinha sofrido uma redução de cerca de 10 % face à dramática campanha de 2016/2017.
Porém, em algumas regiões, nomeadamente no Ribatejo e na Península de Setúbal, os dados, parecem indicar um aumento da área de batata produzida para indústria (processamento) e uma diminuição da área da batata para fresco.
A colheita da batata nova nacional para mercado fresco, em Abril/Maio, iniciou-se com uma procura equilibrada face à oferta, a um nível de preços médio-alto. Durante o mês de Junho, a procura continuou ajustada à oferta, mantendo-se os preços a um nível médio. De registar também a procura de batata nova nacional para exportação, o que permitiu aliviar a oferta no mercado nacional. A exportação ocorreu para alguns países europeus que tradicionalmente importam batata nova de Israel e do Egipto e devido à redução da área plantada nestes países, originou uma necessidade extra de batata nova e daí abriu-se uma “janela de exportação” para Portugal.
Esta situação manteve-se quase até ao início de Julho, momento em que a procura do mercado em geral baixou devido à quebra sazonal do consumo – os meses de Julho e de Agosto, são marcadamente os meses de menor consumo em Portugal. Assim, a batata nova colhida em Julho e a colher em Agosto, nas regiões Oeste e Ribatejo, tiveram e terão como destino imediato as câmaras de frio de algumas centrais de normalização, para conservação da qualidade, porque o mercado apresenta-se pouco dinâmico no consumo, o que em condições normais, deverá melhorar em Setembro, depois de terminado o período de férias. A colheita de batata nova nacional neste momento, está mais activa nas regiões mais tardias (plantações de Março a Maio), nomeadamente nas Beiras, Minho e Trás-os-Montes, em que a produção se destina aos mercados locais e para armazenamento pelo próprio produtor em que, em muitos casos, uma parte da produção se destina a autoconsumo.
Relativamente à batata nova nacional para indústria, em que os preços são estabelecidos previamente à plantação, a colheita iniciou-se normalmente em Maio e prosseguiu nos meses seguintes de acordo com o escoamento contratualizado entre as fábricas e as organizações de produtores e outros agentes económicos. A perspectiva é que as colheitas da batata de indústria terminem em Setembro.
De realçar que a qualidade em geral da batata nova nacional esteve boa e as produtividades das principais regiões de produção mais precoce, também estiveram regulares, isto é, não inferiores às campanhas anteriores.

Eng. Sérgio Margaço (Membro do Conselho Técnico Consultivo da Porbatata)
09-08-2019