{"id":28752,"date":"2025-11-21T17:30:42","date_gmt":"2025-11-21T17:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.porbatata.pt\/?p=28752"},"modified":"2025-11-26T17:07:38","modified_gmt":"2025-11-26T17:07:38","slug":"campanha-2024-2025-desafiante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/campanha-2024-2025-desafiante\/","title":{"rendered":"CAMPANHA 2024\/2025 DESAFIANTE"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"842\" height=\"384\" src=\"https:\/\/www.porbatata.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMAGEM_2_como-se-livrar-da-alternaria-e-da-requeima.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-27992\" srcset=\"https:\/\/www.porbatata.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMAGEM_2_como-se-livrar-da-alternaria-e-da-requeima.png 842w, https:\/\/www.porbatata.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMAGEM_2_como-se-livrar-da-alternaria-e-da-requeima-300x137.png 300w, https:\/\/www.porbatata.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/IMAGEM_2_como-se-livrar-da-alternaria-e-da-requeima-768x350.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 842px) 100vw, 842px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">(Artigo publicado na Revista Porbatata 2025 \u2013 6.\u00aa edi\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Com os operadores j\u00e1 penalizados pela dificuldade em obter batata de semente \u2013 em especial de variedades e de calibres espec\u00edficos \u2013 e pelo seu custo acrescido \u2013 o que contribuiu para agravar a conta de cultura \u2013, a campanha de 2024-2025 teve os primeiros meses fortemente marcados por condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas adversas para as instala\u00e7\u00f5es e depois tamb\u00e9m para a aplica\u00e7\u00e3o de tratamentos e fertiliza\u00e7\u00e3o. A planta\u00e7\u00e3o no cedo foi dif\u00edcil e, na maioria, as planta\u00e7\u00f5es foram tardias. Nos meses posteriores, as condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas tamb\u00e9m foram prejudiciais para o desenvolvimento da cultura, pelas oscila\u00e7\u00f5es de temperatura, pelas temperaturas elevadas e pelas ondas de calor. A produtividade, a qualidade e os calibres sofreram bastante com a combina\u00e7\u00e3o destes fatores, tendo na maioria ficado aqu\u00e9m do pretendido. Na vertente do com\u00e9rcio, a muita batata velha europeia dispon\u00edvel (nomeadamente de Fran\u00e7a), a antecipa\u00e7\u00e3o da entrada de batata nova europeia no mercado (com colheitas feitas mais cedo) e o excesso de oferta decorrente de produ\u00e7\u00f5es altas em v\u00e1rios pa\u00edses bloquearam em grande parte a janela de exporta\u00e7\u00e3o. Isto fez concentrar no mercado interno o produto nacional \u2013 sendo que ter\u00e1 havido tamb\u00e9m nesta campanha em Portugal algum refor\u00e7o de \u00e1reas (na expetativa de um ano comercialmente interessante, ap\u00f3s alguma subida de pre\u00e7os em 2024) \u2013, trouxe tamb\u00e9m um volume consider\u00e1vel de batatas de menor qualidade, for\u00e7ou a queda acentuada dos pre\u00e7os e aumentou a dificuldade em escoar produto. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Clima, produtividade e qualidade <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">O primeiro semestre de 2025 foi caracterizado por condi\u00e7\u00f5es climat\u00e9ricas adversas \u2013 em especial a precipita\u00e7\u00e3o intensa e cont\u00ednua de janeiro at\u00e9 maio \u2013, agravadas pela passagem da depress\u00e3o Martinho, em Mar\u00e7o. A chuva teve v\u00e1rias consequ\u00eancias: atrasos significativos nas planta\u00e7\u00f5es; excesso de \u00e1gua nos solos; dificuldade em efetuar opera\u00e7\u00f5es nos campos; dificuldade em efectuar tratamentos e menor efic\u00e1cia destes; falhas de emerg\u00eancia; menor tuberiza\u00e7\u00e3o; calibres mais baixos; menos tub\u00e9rculos; perda de \u00e1reas cultivadas; quebras de produtividade (nomeadamente nas parcelas instaladas em dezembro e janeiro); condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias ao desenvolvimento de doen\u00e7as (como o m\u00edldio); comprometimento da sanidade de alguns lotes. Na produ\u00e7\u00e3o de fresco, os operadores reportam grande varia\u00e7\u00e3o na produtividade entre campos, desde m\u00ednimos de 15 toneladas por hectare at\u00e9 m\u00e1ximos de 60 t\/ha, com tend\u00eancia para diminui\u00e7\u00e3o face \u00e0s m\u00e9dias dos anos anteriores. Houve produtividades mais baixas nas colheitas de maio e depois um incremento de junho a agosto \u2013 ainda que as oscila\u00e7\u00f5es de temperaturas, com picos de calor, na fase final, tamb\u00e9m tenham gerado problemas. Na produ\u00e7\u00e3o para fresco, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de uma redu\u00e7\u00e3o geral da qualidade, com Pedro C\u00e2mara, da Batatas Melendez, a assinalar que \u00aba maioria dos campos apresentou muita sarna e jun\u00e7a, inviabilizando as batatas para lavado\u00bb. Na produ\u00e7\u00e3o de ind\u00fastria, h\u00e1 relatos de uma qualidade global menor ou, ainda assim, boa. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Pragas, doen\u00e7as e outros problemas <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Na produ\u00e7\u00e3o para fresco, s\u00e3o apontados problemas com jun\u00e7a e sarna (pulverulenta e comum) e a ocorr\u00eancia de podrid\u00f5es, com reflexo negativo na qualidade da batata. Tamb\u00e9m \u00e9 referido o m\u00edldio, com ataques por vezes severos, gerando quebras de produ\u00e7\u00e3o. No Oeste, menciona-se igualmente, devido \u00e0s planta\u00e7\u00f5es mais tardias do que o normal para a regi\u00e3o, ataques de \u00e1caros eriof\u00eddeos no primeiro ter\u00e7o do ciclo da cultura, \u00aboriginando redu\u00e7\u00e3o de \u00e1rea foliar e, consequentemente, redu\u00e7\u00e3o na produtividade\u00bb. \u00abA tra\u00e7a da batata ocorreu com incid\u00eancia pouco significativa. \u00c0 colheita, verificaram-se quebras devido a podrid\u00f5es e deforma\u00e7\u00f5es. Constatou-se mais tarde dificuldades de conserva\u00e7\u00e3o em alguns lotes\u00bb, comenta Nuno Caj\u00e3o, da Louricoop. S\u00e9rgio Marga\u00e7o, da Inter Portugal, destaca os danos causados pela jun\u00e7a e o facto de atualmente n\u00e3o existir \u00abnenhum produto fitossanit\u00e1rio autorizado em Portugal, desde a retirada da subst\u00e2ncia ativa S-metolacloro\u00bb, para o controlo desta infestante. Outros problemas fiotossanit\u00e1rios elencados s\u00e3o rizoct\u00f3nia, pinta ferrugenta, alternaria, aranhi\u00e7o e cora\u00e7\u00e3o oco. Lu\u00eds Azevedo, da Campotec, descreve a ocorr\u00eancia de segundos crescimentos, devido a temperaturas elevadas, levando a alguma perda de produ\u00e7\u00e3o. Na Primohorta, a sarna pulverulenta afectou a qualidade e diminuiu consideravelmente o volume de batata colocado pela empresa no mercado de consumo, face ao normal. H\u00e1 ainda a salientar problemas como o aumento de custos com tratamentos e de maneio do campo ou a manuten\u00e7\u00e3o das dificuldades de recrutar m\u00e3o-de-obra (Jos\u00e9 Cavaleiro, da Calcob, indica que houve alguns produtores com esse problema no \u00e2mbito do mercado tradicional de sacos de batata apanhada \u00e0 m\u00e3o). Por outro lado, baixaram os custos de rega.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Batata de semente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">S\u00e9rgio Marga\u00e7o, da Inter Portugal, explica que, para a campanha 24-25, \u00abdevido ao acr\u00e9scimo de procura que se verificou, em cerca de metade das variedades, a STET n\u00e3o dispunha de capacidade de resposta\u00bb. Sublinha ainda que os pre\u00e7os \u00abrepercutiram os aumentos de custos de produ\u00e7\u00e3o nos produtores multiplicadores que se registaram ap\u00f3s as crises que surgiram na Europa com a pandemia e a guerra\u00bb e que \u00aba qualidade da batata de semente, em geral, estava boa a muito boa\u00bb. Rubens Oliveira, da Germicopa, assinala atraso de colheita, calibres em falta e um aumento de pre\u00e7os em euros por tonelada (por press\u00e3o de pre\u00e7os da batata de consumo \u00abmuito altos\u00bb na campanha anterior) na campanha 24-25. A actual campanha afigura-se \u00abmuito diferente\u00bb, com planta\u00e7\u00f5es em boas condi\u00e7\u00f5es, cedo e com um pouco mais de \u00e1rea e boas condi\u00e7\u00f5es de colheita, cedo, e previs\u00e3o de semente de boa qualidade, disponibilidade normal e sem atrasos, sendo que \u00abpoder\u00e1 haver alguma press\u00e3o sobre os pre\u00e7os\u00bb. Tendo em vista a campanha 25-26, S\u00e9rgio Marga\u00e7o refere que, \u00abem resposta ao aumento da procura a n\u00edvel global da batata de semente, os principais pa\u00edses europeus que multiplicam batata de semente aumentaram a \u00e1rea em 9,5% (fonte: FN3PT)\u00bb e que \u00abas principais empresas de batata de semente reportam uma qualidade boa na colheita\u00bb. \u00abPerspetiva-se que, na maioria das variedades, exista disponibilidade, exceto se ocorrerem rejei\u00e7\u00f5es mais ou menos inesperadas por doen\u00e7as. Espera-se uma menor propor\u00e7\u00e3o de calibres pequenos dispon\u00edveis (28\/35 e eventualmente 35\/45 em algumas variedades) e uma disponibilidade razo\u00e1vel de calibres m\u00e9dios e grandes. As expetativas v\u00e3o no sentido de uma certa estabilidade dos pre\u00e7os, decorrente das atualiza\u00e7\u00f5es ocorridas nas duas campanhas anteriores\u00bb, acrescenta. Andr\u00e9 Sobral, da J. Sobral e Filhos, afirma que os pre\u00e7os da batata de semente na campanha 24-25 foram iguais aos da anterior. Para a pr\u00f3xima campanha, como se plantou um pouco mais, \u00ab\u00e9 capaz de haver um bocadinho mais de semente, nada transcendente\u00bb, sendo que \u00aba multiplica\u00e7\u00e3o correu bem e a qualidade \u00e9 boa (pelo menos, \u00e9 o que se espera do que se v\u00ea em campo)\u00bb e, at\u00e9 \u00e0 data, \u00abn\u00e3o houve perdas de campos\u00bb. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Comercializa\u00e7\u00e3o e embalamento <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Quem se dedica ao embalamento e comercializa\u00e7\u00e3o frisa o excesso de oferta \u2013 por combina\u00e7\u00e3o de produto nacional e de muita batata de outros pa\u00edses, velha e nova, a pre\u00e7os muito baixos \u2013, o que aumentou a press\u00e3o sobre o mercado e dificultou o escoamento. A Oliveira, Pinho e Filhos destaca que, \u00abao contr\u00e1rio do mercado externo, o mercado nacional, apesar de saturado, conseguiu manter os pre\u00e7os na batata vermelha. Claro que n\u00e3o eram os pre\u00e7os almejados, mas n\u00e3o houve um decr\u00e9scimo t\u00e3o acentuado como na batata branca, em que a oferta foi bastante superior \u00e0 procura, muito devido \u00e0 falta de exporta\u00e7\u00e3o\u00bb. J\u00e1 a Calcob real\u00e7a que a exporta\u00e7\u00e3o \u00abfoi muito inferior \u00e0 do ano passado\u00bb, que \u00aba procura por batatas portuguesas no mercado nacional foi relativamente baixa\u00bb e que \u00abo consumidor vai ao pre\u00e7o, n\u00e3o vai ao nacional, ao contr\u00e1rio dos espanh\u00f3is e dos franceses\u00bb. A Batatas Melendez assinala que na exporta\u00e7\u00e3o \u00abalguns contratos simplesmente n\u00e3o foram cumpridos, devido ao excesso de batata existente principalmente em Fran\u00e7a\u00bb. Quanto a valor, ocorreram descidas de pre\u00e7os e de margens, \u00abo que pressiona muito a sustentabilidade futura da cultura e a op\u00e7\u00e3o dos agricultores para a realizarem\u00bb, nota Nuno Caj\u00e3o, da Louricoop. J\u00e1 a Oliveira, Pinho e Filhos sublinha que \u00abos pre\u00e7os nesta campanha n\u00e3o acompanharam os custos tidos na cultura e isto, aliado \u00e0s baixas produtividades, levou a que as margens fossem reduzidas, nulas ou mesmo que houvesse preju\u00edzos em alguns casos\u00bb. Sobre tend\u00eancias, a Manuel Patr\u00edcio elenca \u00abuma redu\u00e7\u00e3o da procura por artigos em embalagens de maior volume (como sacos de 5 kg) em detrimento de embalagens mais pequenas\u00bb. \u00abInfelizmente, o aspeto visual continua a ser o primeiro crit\u00e9rio de compra do produto. Esta tend\u00eancia reflete uma maior valoriza\u00e7\u00e3o da qualidade, origem e diferencia\u00e7\u00e3o do produto, em detrimento da quantidade. O consumidor mostra-se cada vez mais informado e exigente, valorizando a seguran\u00e7a alimentar, a qualidade e a adequa\u00e7\u00e3o do produto a diferentes tipos de culin\u00e1ria. Esta tend\u00eancia refor\u00e7a a import\u00e2ncia da diferencia\u00e7\u00e3o e da especializa\u00e7\u00e3o no mercado, criando espa\u00e7o para produtos com maior valor acrescentado. Adicionalmente, tem-se verificado uma maior exig\u00eancia dos clientes quanto \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 gest\u00e3o respons\u00e1vel dos recursos h\u00eddricos\u00bb, informa a empresa. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Ind\u00fastria e IV Gama <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Na IV Gama, a Oliveira, Pinho e Filhos refere que \u00abesta campanha houve muito produto dispon\u00edvel e lotes com alguns problemas de pele, nomeadamente sarna pulverulenta, que n\u00e3o surte qualquer impacto negativo no descasque\u00bb. Sobre a opera\u00e7\u00e3o, salienta que \u00abos baixos pre\u00e7os a que se transacionou a batata, a falta de escoamento, levou-nos a encontrar novas solu\u00e7\u00f5es, a selecionarmos clientes e a caminharmos com os parceiros que nos acompanham em todos os cen\u00e1rios\u00bb. \u00abA procura de batata de fresco, no seu geral, sofreu uma acentuada diminui\u00e7\u00e3o e a batata frita estagnou o seu crescimento. Apesar de a batata continuar a ser um alimento fulcral da dieta mediterr\u00e2nea, a diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra repercute-se nas vendas de supermercados, restaura\u00e7\u00e3o e mercados tradicionais\u00bb, comenta a empresa. Jos\u00e9 Cavaleiro, da Calcob, indica que as vendas na IV gama aumentaram, que esta vertente se mant\u00e9m \u00abem franco crescimento\u00bb e que, por existir mais concorr\u00eancia no mercado, a mat\u00e9ria-prima com que se trabalha \u00abtem de ser batatas com qualidade\u00bb. Lu\u00eds Azevedo, da Campotec, relata que a disponibilidade de mat\u00e9ria-prima \u00abcada vez menos \u00e9 um problema\u00bb, que houve algum decr\u00e9scimo do consumo de batata para fritar \u2013 com alguns clientes a substitu\u00edrem esta por batata pr\u00e9-frita (congelada) \u2013 e que no in\u00edcio da importa\u00e7\u00e3o de batata de Fran\u00e7a para a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de IV Gama n\u00e3o havia transporte dispon\u00edvel. Ricardo Guerra, da Jos\u00e9 Guerra, aponta uma campanha \u00ablonga e dura\u00bb, com alguns incumprimentos de contratos, o que gerou alguma dificuldade em escoar a batata e \u00abfez com que a campanha se prolongasse, pelo menos, mais dois meses do que estava previsto\u00bb. Segundo S\u00e9rgio Marga\u00e7o, da Inter Portugal, a exist\u00eancia de stocks elevados de batata de conserva\u00e7\u00e3o em alguns pa\u00edses europeus em maio e junho \u00abcondicionou o in\u00edcio das entregas a alguns clientes, sobretudo f\u00e1bricas que ainda estavam a abastecer-se de batata \u201cvelha\u201d\u00bb na altura em que a colheita come\u00e7ou, em maio. A Torriba negociou contratos com manuten\u00e7\u00e3o ou acr\u00e9scimo de pre\u00e7o (muito para suportar a subida do pre\u00e7o da semente) e, em geral, com incremento de \u00e1reas, num mercado em que se estimava haver menos batata do que efectivamente existia. Rodrigo Vinagre conta que os problemas de produtividade e atrasos nas primeiras instala\u00e7\u00f5es levaram a instala\u00e7\u00f5es j\u00e1 fora de \u00e9poca em terras mais leves, para satisfazer os contratos (em articula\u00e7\u00e3o com os clientes), e que, devido \u00e0 chuva, tiveram grandes dificuldades na fertiliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Perspetiva geral da campanha 2024-2025 <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Em geral, na vertente de fresco, considera-se que a campanha de 2024-2025 foi \u00abirregular\u00bb, \u00abat\u00edpica\u00bb, \u00abrepleta de desafios\u00bb, \u00abmuito dif\u00edcil\u00bb e \u00abmuito penalizadora\u00bb para todos os players do setor da batata, marcada por atrasos na produ\u00e7\u00e3o em Portugal e em Espanha, antecipa\u00e7\u00e3o de outras campanhas europeias, sobreposi\u00e7\u00e3o de campanhas, aumento da oferta no mercado, quebras de produ\u00e7\u00e3o, falta de qualidade (na produ\u00e7\u00e3o para fresco e para ind\u00fastria), aumento dos custos, diminui\u00e7\u00e3o significativa de pre\u00e7os \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, fecho quase total das janelas de exporta\u00e7\u00e3o para o norte da Europa e dificuldades de escoamento no mercado interno. A Oliveira, Pinho e Filhos destaca que o agricultor \u00abn\u00e3o mediu esfor\u00e7os para tratar e, no final, viu o pre\u00e7o de venda abaixo da sua conta de cultura\u00bb, que os intermedi\u00e1rios \u00abn\u00e3o conseguiram pagar o devido valor pelo produto e encontrar um leque diversificado de canais de escoamento\u00bb e que \u00abmesmo para os clientes foi dif\u00edcil, pois n\u00e3o cumprirem os contratos tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o almejado\u00bb. A Manuel Patr\u00edcio aponta um \u00abcontexto desfavor\u00e1vel\u00bb, com \u00abuma quebra significativa na procura, acompanhada por uma descida acentuada dos pre\u00e7os de mercado e por uma redu\u00e7\u00e3o generalizada da qualidade da batata, fortemente influenciada pelas condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas adversas ao longo do ciclo produtivo\u00bb. Frisa ainda que se registou \u00abum refor\u00e7o das exig\u00eancias de certifica\u00e7\u00e3o e conformidade por parte dos clientes em rela\u00e7\u00e3o aos produtores nacionais, nomeadamente ao n\u00edvel do uso sustent\u00e1vel da \u00e1gua. No entanto, as entidades competentes n\u00e3o acompanharam de forma eficaz estas exig\u00eancias, criando obst\u00e1culos significativos para os produtores no cumprimento dos novos requisitos\u00bb. Segundo Humberto Bizarro, com uma \u00e1rea plantada \u00abmuito menor\u00bb do que em anos anteriores (por antevis\u00e3o de uma m\u00e1 campanha) e com produtividades mais baixas do que em 2024, a campanha da Hortapronta \u00abresolveu-se de uma forma equilibrada, sem grandes problemas\u00bb. No segmento de batata para lavar foi poss\u00edvel ter \u00abpre\u00e7os justos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o\u00bb, mas isso j\u00e1 n\u00e3o aconteceu no segmento de sujo. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" style=\"letter-spacing:0.4px\">Campanha 2025-2026<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\"> Sendo ainda cedo para certezas absolutas, todas as perspetivas parecem poss\u00edveis na pr\u00f3xima campanha de produ\u00e7\u00e3o para fresco, dependendo da estrat\u00e9gia e do entendimento do mercado por parte de cada operador: manuten\u00e7\u00e3o, aumento, mas tamb\u00e9m diminui\u00e7\u00e3o de \u00e1rea. A Oliveira, Pinho e Filhos garante que \u00abvamos continuar a ser ponderados\u00bb e informa, tal como outros operadores, que, \u00e0 data, \u00abantev\u00ea-se que o mercado europeu ter\u00e1 bastante quantidade de batata\u00bb. Na produ\u00e7\u00e3o para ind\u00fastria, em que as negocia\u00e7\u00f5es est\u00e3o a come\u00e7ar, fala-se da aparente inten\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias de baixar os pre\u00e7os e numa eventual redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas. A Calcob pretende manter a \u00e1rea, mas escolher entre o conjunto dos agricultores \u00abas parcelas que nos d\u00e3o mais seguran\u00e7a\u00bb (evitando terras \u00abcomplicadas\u00bb) e, a pedido dos produtores, \u00abtentar aumentar a \u00e1rea contratada\u00bb. Jos\u00e9 Cavaleiro acredita que, \u00abno pr\u00f3ximo ano, a exporta\u00e7\u00e3o em maio e junho vai ser reduzida, porque h\u00e1 muitas batatas no mercado\u00bb. Na Hortapronta, que tem vindo a diminuir \u00e1reas nos \u00faltimos cinco anos, a perspectiva \u00e9 \u00abmanter a \u00e1rea ou talvez fazer um pouco menos\u00bb, numa campanha que \u00abn\u00e3o vai ser favor\u00e1vel\u00bb, pela grande quantidade de batata existente nos produtores europeus. A Primohorta pretende fazer o mesmo programa, a Torriba est\u00e1 em negocia\u00e7\u00f5es (onde \u00abtentamos passar que \u00e9 preciso, no m\u00ednimo, manter a valoriza\u00e7\u00e3o, porque os custos, na melhor das hip\u00f3teses, estabilizaram, mas continuam bastante altos\u00bb, diz Rodrigo Vinagre) e a Jos\u00e9 Guerra ainda est\u00e1 a decidir se faz a mesma \u00e1rea ou menos. Andr\u00e9 Sobral, da J. Sobral e Filhos, salienta que, em 24-25, houve \u00abmuito agricultor que n\u00e3o era hist\u00f3rico de batata\u00bb a fazer esta cultura e defende que em 25-26 as \u00e1reas de batata em Portugal \u00abv\u00e3o decrescer\u00bb, para \u00abmenos 30% de \u00e1rea, em geral\u00bb. Na perspectiva de Rubens Oliveira, da Germicopa, \u00abo mercado mais profissional est\u00e1 sob alguma press\u00e3o, seja para exporta\u00e7\u00e3o ou para a ind\u00fastria\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\" style=\"letter-spacing:0.4px\"><strong>Nota: <\/strong>Este \u00e9 um artigo dispon\u00edvel na 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Revista Porbatata 2025. Pode ver mais artigos<strong> <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/www.calameo.com\/read\/0065354750872a7c5b0c5\">AQUI<\/a><\/mark><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Artigo publicado na Revista Porbatata 2025 \u2013 6.\u00aa edi\u00e7\u00e3o.) Com os operadores j\u00e1 penalizados pela dificuldade em obter batata de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27992,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[120,1,123,122],"tags":[],"class_list":["post-28752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-legislacao","category-noticias","category-opiniao-noticias","category-opiniao"],"translation":{"provider":"WPGlobus","version":"3.0.0","language":"en","enabled_languages":["pt","en"],"languages":{"pt":{"title":true,"content":true,"excerpt":false},"en":{"title":false,"content":false,"excerpt":false}}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28752"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28756,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28752\/revisions\/28756"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27992"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.porbatata.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}